segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Mama Help - Um projecto de pessoas e para pessoas

“Este é um projecto de pessoas e para pessoas”. Foi desta forma que Maria João Cardoso, cirurgiã, membro do board científico do POP e mentora do projecto Mama Help, apresentou o novo centro de apoio a doentes com cancro da mama, que abre as portas no dia 24 de Março, no Porto.

O Mama Help surgiu como “uma resposta às necessidades que as minhas doentes me foram relatando ao longo dos dez anos de vida que passei a tratar cancros da mama”, disse a oncologista ao RCM Pharma. “São muitas consultas, marcadas vezes sem conta, para perguntar: o que é que hei de fazer com o meu trabalho, com os meus filhos?... Muitas das minhas consultas são isso, e não é que eu não queira ter esse tempo, mas considero que esse acompanhamento deve ser profissional. E isso vai ser possível no Mama Help”.

Também Joana Macedo, oncologista e membro do conselho científico do Mama Help, sentiu essa necessidade dos seus doentes de receber um apoio que vai além do tratamento médico: “Este projecto significa uma ideia que está na cabeça de todos os oncologistas, que tratam e lidam com estes doentes diariamente, e que têm dificuldades em fornecer respostas às perguntas dos doentes, que precisam de muito mais do que a ajuda que lhes podemos dar, uma ajuda além do tratamento”.

Maria João Cardoso acredita que “no nosso país temos oncologistas excelentes, mas nós médicos não conseguimos, nem de perto, nem de longe, chegar a tudo o que as pessoas precisam quando têm um cancro”. “É toda a vida do doente que é afectada, desde o relacionamento com o parceiro, aos filhos, e à situação profissional, passando pela sua auto-estima. E, se não percebermos isso, estamos a tratar apenas uma mínima parte do problema, apenas o topo. O que é fundamental é que a pessoa passe pela doença bem, sentindo que está confortável com as questões que tem. E este projecto tem como objectivo ajudar os doentes nesse sentido”.

No Mama Help, os doentes com cancro da mama vão poder encontrar apoio nas mais diversas valências: desde a nutrição à psicologia, da fisioterapia ao aconselhamento jurídico, do apoio social às terapias complementares (como a acupunctura, a naturopatia, o yoga e o reiki, entre outros). No centro, os doentes vão também ter acesso a grupos de auto-ajuda e a um centro de imagem, onde poderão ter acesso a cabeleiras, lenços, próteses e maquilhagem. Tudo para cumprir o objectivo de ser um espaço dedicado ao suporte não médico e ao esclarecimento de doentes com cancro da mama e seus familiares e amigos.

“Quanto mais se interage, melhores são os resultados terapêuticos”

Um dos aspectos mais inovadores do Mama Help é efectivamente o facto de conciliar o que são as medicinas ditas convencionais com as complementares.

“Penso que quanto mais se interage, melhores são os resultados terapêuticos a todos os níveis, desde o diagnóstico até ao pós-tratamento do cancro da mama”, disse ao RCM Pharma Alexandra Pereira, responsável pela área de medicinas complementares do Mama Help. “Cada área tem a sua coisa a dizer relativamente ao cancro da mama, e até à forma psicológica como o doente está. É essa interacção que se pretende, quer a nível alimentar, quer a nível físico, quer a nível espiritual”, acrescentou.

Mama Help vem “preencher lacuna”

Fernanda Norton Barbosa, economista e curadora do Mama Help, considera que este projecto vem “preencher uma lacuna” para os doentes com cancro da mama. Sendo também uma doente oncológica, a lidar com um cancro da mama há 16 anos, a curadora explicou ao RCM Pharma que, quando lhe foi diagnosticada a doença, foi como um “cair no vazio”. “Uma das minhas grandes dificuldades foi ter de fazer um tratamento que sabia que iria fazer com que me caísse o cabelo e não saber onde iria arranjar uma cabeleira postiça. No Mama Help, os doentes vão encontrar respostas a questões como esta”, explicou.

Para Fernanda Norton Barbosa, “o essencial para a nossa doença é não só termos médicos que a tratem, mas termos todo o apoio de que necessitamos, seja ele psicológico ou mesmo jurídico”. “Só muito mais tarde é que soube acerca dos benefícios fiscais que podem advir da incapacidade que a doença acarreta”, explicou.

Centro “representa o envolvimento das pessoas, da sociedade civil”

Para Leonor Beleza, também curadora do Mama Help, este centro “representa o envolvimento das pessoas, da sociedade civil, na abordagem de uma situação que muitas vezes é excessivamente tratada só do ponto de vista médico e técnico de saúde, mas que tem componentes que vão muito para além disso”, disse ao RCM Pharma.

“Nesta abordagem, as pessoas juntam-se para permitir às mulheres que têm cancro da mama encontrarem ferramentas para assumirem aquilo que lhes está a acontecer, para dominarem aquilo que lhes está a acontecer, ao encontrar-se com outras pessoas que estão a passar pelo mesmo, com outras que já passaram e com outras ainda que podem ajudá-las a compreender melhor aquilo pelo que estão a passar”, acrescentou.

Leonor Beleza encara o centro como “um porto de abrigo, onde os doentes com cancro da mama possam encontrar pessoas que os compreendam e ajudem, mas sobretudo para que a pessoa viva a sua situação como actor principal da sua própria situação, e não apenas como uma pessoa a quem está a acontecer algo que não pode controlar”. No centro, os doentes com cancro da mama são ajudados a “tomar as rédeas da sua doença”.

“Só tratar a doença não é suficiente”

Também Fátima Cardoso, oncologista e membro do conselho científico do Mama Help, destaca o carácter “inovador” do projecto, “que permite às mulheres e aos homens com cancro da mama ter o apoio das outras especialidades que são muito importantes no apoio multidisciplinar da doença e que normalmente não estão tão presentes na maioria dos hospitais”.

A oncologista defende que “é preciso olhar para o doente no seu todo. Só tratar a doença não é suficiente. É preciso tratar todas as consequências da doença: psicológicas, sociais, económica, etc.”

Fátima Cardoso destaca ainda o facto de os doentes poderem, através do centro, ter acesso a “uma informação que é cientificamente correcta e credível”. “O problema deste mundo em que vivemos é que há muita informação mas infelizmente cerca de 80 a 85% não é credível, acabando por trazer muito mais confusão do que informação. Ter um local onde se possa ter acesso a uma informação credível é fundamental”, disse ao RCM Pharma.

“Ter informação é ter poder”

Também Maria José Azevedo, jornalista e curadora do Mama Help, acredita que “ter informação é ter poder”. “As pessoas mais bem informadas decidem melhor, e, logo, o processo de recuperação é muito diferente”, disse ao RCM Pharma.

Para a curadora, “a vantagem deste projecto é o facto de ser uma resposta profissional, complementar ao tratamento da medicina tradicional”. “Acho que o mais inovador deste projecto foi o ter sido dinamizado e lançado por uma médica da medicina tradicional – normalmente, os profissionais da medicina tradicional resistem às ditas medicinas complementares e alternativas. O facto de uma especialista cirurgiã ter essa humildade diz bem dela e diz bem deste projecto, que vai certamente funcionar bem”.

A mentora e directora do centro Maria João Cardoso acredita que o Mama Help possa ser o primeiro de vários projectos do género: “Espero que as pessoas percebam que este projecto tem capacidades para ser realizado no resto do país, mesmo que em moldes não exactamente iguais, porque haverá certamente projectos mais ambiciosos – um Cancer Help, por exemplo, que seria uma coisa mais abrangente, para todos os doentes oncológicos”.


Fonte: RCM Pharma

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